Saúde masculina após os 60 anos: o que realmente importa para viver mais e melhor?

Dra Vanessa Sarmento - Novembro Azul

Falar sobre saúde masculina sempre me traz um misto de preocupação e esperança. Preocupação porque ainda é raro ver um homem procurar atendimento espontaneamente; muitas vezes brinco que eles chegam “trazidos” pela esposa, filha ou nora. Mas também sinto esperança ao perceber que esse cenário está mudando, mesmo que devagar.

Recentemente, durante uma palestra do Novembro Azul em São José do Mipibu/RN, fiquei positivamente surpresa com a quantidade de homens interessados, participativos e abertos a falar sobre prevenção. Percebi algo valioso: quando a informação chega de forma clara, acolhedora e sem julgamento, eles escutam e se cuidam.

Nas Instituições de Longa Permanência (ILPIs), esse diálogo fica ainda mais especial. Na semana passada, um residente de 78 anos, que adora caminhar pelo pátio após o café e passa as tardes lendo, me abordou timidamente: “Doutora, homem também precisa fazer check-up igual as mulheres fazem? Minha esposa fala tanto, mas eu achava que era exagero…” Conversamos com calma, e expliquei que sim: a saúde masculina merece a mesma atenção e constância que a feminina. Ele riu, concordou e disse que, se soubesse disso antes, teria se cuidado mais. Essa fala representa muitos homens da mesma faixa etária.

Um ponto fundamental que sempre reforço é que a maioria dos cânceres de próstata é diagnosticada ainda no estágio inicial e, na maior parte das vezes, sem sintomas. Quando surgem, normalmente são inespecíficos: aumento da frequência urinária, urgência, jato fraco ou acordar várias vezes à noite. E gosto sempre de tranquilizar: na maior parte dos casos, esses sinais são causados por condições benignas, como Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) ou inflamações.

Três fatores de risco merecem total atenção: idade, especialmente entre 65 e 74 anos; etnia, com maior risco para homens negros; e histórico familiar, sobretudo quando o diagnóstico ocorreu antes dos 65 anos. Conhecer esses fatores ajuda o idoso e a família a entenderem por que o acompanhamento regular é tão importante.

No consultório, nas palestras ou nas rodas de conversa, percebo que cerca de 80% dos homens ainda têm resistência ao toque retal. Cabe a nós, profissionais, desconstruir esse tabu: não existe avaliação completa sem a combinação de PSA + toque retal. O PSA é apenas o início, ele orienta, mas não fecha diagnóstico. O toque identifica nódulos, alterações e assimetrias que nenhum exame laboratorial consegue avaliar sozinho.

O mais importante: quando diagnosticado precocemente, o câncer de próstata tem altas taxas de cura. O problema é que muitos homens chegam tarde demais, quando o tumor já não está mais localizado e o tratamento se torna mais complexo.

Sempre repito: “O PSA é o começo da conversa, não o fim.”

A avaliação completa, o acompanhamento contínuo e as decisões compartilhadas fazem toda a diferença na vida do idoso.

Falar sobre o tema, normalizar o cuidado e incentivar o check-up regular é o que garante mais anos com saúde, autonomia e qualidade de vida para os homens que amamos. E, aos poucos, aquele cenário do homem que só procura o médico quando alguém insiste vai dando espaço a algo novo: o homem que entende seu risco, participa das decisões e escolhe se cuidar.

Se você tem um familiar idoso e percebeu alguma mudança ou tem dúvidas sobre prevenção masculina, converse com seu médico.

Este artigo foi escrito por:

Foto de Dra. Vanessa Sarmento

Dra. Vanessa Sarmento

Sou médica, especialista em geriatria pelo Hospital Sírio-Libanês e membro da SBGG. Atuo no Hospital Vita CCE e no Instituto Terça da Serra, em Natal/RN, sempre com o propósito de promover saúde e bem-estar para os idosos.

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Dra. Vanessa Sarmento

Sou médica, especialista em geriatria pelo Hospital Sírio-Libanês e membro da SBGG. Atuo no Hospital Vita CCE e no Instituto Terça da Serra, em Natal/RN, sempre com o propósito de promover saúde e bem-estar para os idosos.

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