“Dra, minha mãe de 70 anos descobriu um caroço na mama, e agora? ”. Pergunta que escuto com frequência.
Recebo com frequência uma pergunta que revela a preocupação de muitas famílias: “Dra., minha mãe de 70 anos encontrou um caroço na mama. O que fazemos agora?” Essa é uma situação comum na rotina de quem cuida de mulheres idosas, especialmente porque o câncer de mama após os 60 anos tem se tornado cada vez mais prevalente devido ao envelhecimento da população. Falar sobre o tema é essencial, não apenas durante o Outubro Rosa, mas ao longo de todo o ano, já que o diagnóstico precoce continua sendo o maior aliado na prevenção e no tratamento.
Recentemente, realizei uma palestra no município de São José do Mipibu/RN para dezenas de mulheres, onde a abordagem foi bem interessante. A pergunta entre diversas mulheres foi a mesma: “Dra, como prevenir o câncer de mama?” Alguns homens também estavam presentes e também abordaram questionamentos como: “Dra, existe câncer de mama em homens?
É importante saber que independente da idade o câncer de mama é caracterizado pela proliferação anormal de células do tecido mamário, que surge por uma combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Entre os fatores não modificáveis estão idade avançada, gênero feminino, histórico familiar ou genético e características da história reprodutiva, como menarca precoce e menopausa tardia. Já entre os fatores modificáveis, que podem ser influenciados pelo estilo de vida, destacam-se obesidade e sobrepeso (especialmente após a menopausa), sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo e o uso prolongado de terapia de reposição hormonal sem orientação adequada.
Digamos que não existe uma forma de prevenir o câncer de mama, mas podemos realizar o rastreio precoce e assim, quando analisada algum risco para desenvolver tal doença, conseguirmos resolver o mais precocemente possível. Mulheres com risco elevado por realizar o rastreamento a partir dos 40 anos, com mamografia e ultrassonografia, mantendo-se o rastreio regular até os 74 anos. Quando diagnosticado, as formas de tratamento e cuidado são diversas, incluindo muitas vezes cirurgia ou quimioterapia.
No decorrer da palestra fui questionada sobre a afecção da neoplasia em homens, enfatizei que enquanto o câncer de mama é o mais frequente nas mulheres, apenas 1% do total de casos de é masculino. Normalmente, ele aparece em homens mais velhos, acima dos 60 anos, e pode ser mais frequente em homens cujas famílias apresentam muitos casos de câncer de mama (mesmo que em mulheres) e câncer de ovário (neste caso, a idade de aparecimento pode ser em homens mais jovens).
Além do câncer de mama, o câncer de colo de útero também merece atenção especial na saúde feminina. Ele ocorre na porção inferior do útero e tem como principal causa a infecção persistente pelo HPV. Trata-se de um câncer de evolução lenta, podendo levar de 10 a 20 anos para que alterações celulares evoluam até um quadro invasor.
A forma mais eficaz de prevenção e rastreamento é o exame Papanicolau, indicado para mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual. Após os 65 anos, aquelas que mantiveram rastreamento regular com resultados sempre normais podem suspender o exame, conforme avaliação médica. Já mulheres que nunca realizaram o Papanicolau devem fazer dois exames em intervalo de 1 a 3 anos; se ambos forem negativos, não precisam seguir com novos exames.
Tanto o câncer de mama quanto o de colo de útero têm altas taxas de cura quando descobertos em suas fases iniciais.
Manter um estilo de vida saudável, evitar os fatores de risco modificáveis e, acima de tudo, realizar seus exames de rastreamento regularmente são as melhores atitudes que você pode tomar pela sua saúde.
Converse com seu médico. Tire suas dúvidas, entenda seu risco individual e mantenha seu calendário de exames preventivos em dia. Cuidar de você é o primeiro passo!


